PRECONCEITO - Racismo também é histórico no futebol.
Acesse a Folha de Londrina para ver entrevista completa.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
A princípio, o resultado do atleta francês Christophe Lemaitre na prova de 100 metros rasos no Campeonato Europeu de Atletismo de 2010, em Barcelona, se apresenta como algo inesperado, insólito, incomum. De fato é. Se observarmos os últimos trinta anos, a prevalência dos atletas negros nesta prova é contundente.
A revisão de literatura nos mostra que alguns aspectos biotipológicos têm influência no desempenho dos atletas. Refiro-me, neste caso, ao tipo de fibra muscular, nomeada como branca. Estudos apontam que na média das populações investigadas, o grupo de sujeitos de pele mais escura apresenta um maior número de fibras brancas e também de fibras vermelhas. Há também estudos que observam as características biomecânicas de negros e brancos. Um estudo muito recente (The Evolution Of Speed In Athletics: Why The Fastest Runners Are Black And Swimmers White), realizado na Universidade Duke, nos Estados Unidos, afirma que os negros têm o centro de gravidade mais alto que o dos brancos. Daí, associar-se essas ideias à prevalência dos negros nas provas de 100 metros rasos.
Entretanto, não podemos ficar apenas com os aspectos biológicos. Há que se introduzir na discussão as dimensões sócio-cultural e histórica. Um erro da academia é polarizar a discussão. Grupos de pesquisadores focalizam os aspectos biológicos e outros grupos os aspectos sociais, culturais, históricos e psicológicos, quando se coloca a questão racial seja no esporte ou em outras áreas.
Existe um espaço de consenso/dissenso que deve aproximar as ideias que estão polarizadas. A inovação neste campo necessita do diálogo entre as posições extremadas. Não se trata de buscar uma síntese, mas permitir que os pontos de vista antagônicos se complementem.
A vitória de Christophe Lemaitre ultrapassa a questão racial. Ela mostra que apesar de sermos levados o tempo todo a olhar o mundo com base nos padrões estabelecidos, no homogêneo, no comum, no natural, há espaço para a singularidade e para a diferença. Lemaitre nos permite entender que é possível olhar de outra forma. Apesar de estar numa prova considerada como espaço exclusivo de atletas negros de procedência ou descendência do oeste africano, Lemaitre está determinado e preparado para desnaturalizar o que já era considerado natural e comum.
A distância entre ser consagrado e ser profanado é muito tênue. Quantas vezes este atleta não deve ter ouvido: desista da empreitada. Talvez possa até mesmo ter sido zombado pelos colegas; o que foge ao padrão tende a ser discriminado.
Esta vitória representa que os espaços sociais e esportivos não são exclusividade de determinados grupos.
A revisão de literatura nos mostra que alguns aspectos biotipológicos têm influência no desempenho dos atletas. Refiro-me, neste caso, ao tipo de fibra muscular, nomeada como branca. Estudos apontam que na média das populações investigadas, o grupo de sujeitos de pele mais escura apresenta um maior número de fibras brancas e também de fibras vermelhas. Há também estudos que observam as características biomecânicas de negros e brancos. Um estudo muito recente (The Evolution Of Speed In Athletics: Why The Fastest Runners Are Black And Swimmers White), realizado na Universidade Duke, nos Estados Unidos, afirma que os negros têm o centro de gravidade mais alto que o dos brancos. Daí, associar-se essas ideias à prevalência dos negros nas provas de 100 metros rasos.
Entretanto, não podemos ficar apenas com os aspectos biológicos. Há que se introduzir na discussão as dimensões sócio-cultural e histórica. Um erro da academia é polarizar a discussão. Grupos de pesquisadores focalizam os aspectos biológicos e outros grupos os aspectos sociais, culturais, históricos e psicológicos, quando se coloca a questão racial seja no esporte ou em outras áreas.
Existe um espaço de consenso/dissenso que deve aproximar as ideias que estão polarizadas. A inovação neste campo necessita do diálogo entre as posições extremadas. Não se trata de buscar uma síntese, mas permitir que os pontos de vista antagônicos se complementem.
A vitória de Christophe Lemaitre ultrapassa a questão racial. Ela mostra que apesar de sermos levados o tempo todo a olhar o mundo com base nos padrões estabelecidos, no homogêneo, no comum, no natural, há espaço para a singularidade e para a diferença. Lemaitre nos permite entender que é possível olhar de outra forma. Apesar de estar numa prova considerada como espaço exclusivo de atletas negros de procedência ou descendência do oeste africano, Lemaitre está determinado e preparado para desnaturalizar o que já era considerado natural e comum.
A distância entre ser consagrado e ser profanado é muito tênue. Quantas vezes este atleta não deve ter ouvido: desista da empreitada. Talvez possa até mesmo ter sido zombado pelos colegas; o que foge ao padrão tende a ser discriminado.
Esta vitória representa que os espaços sociais e esportivos não são exclusividade de determinados grupos.
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